Inara
A DOUTRINADORA

            Ouvi dizer ha algum tempo, em algum lugar, que descrever-se é limitar-se. Costumamos ser muito além daquilo que nossos próprios olhos podem perceber, para o bem e para o mal. Mais belos e também perversos. Tudo o que advém do ego – do eu – é tendencioso, pois no prisma da vida, estar no centro de um evento nos torna quase incapaz de enxergar o todo, o potencial de nossa luz e sombra. Uma visão periférica, de fora, por vezes é capaz de descrever com mais veemência aquilo que o público entende. Escritores, como eu, transmutam uma essência em palavras, e é por isso que aqui, tomo com a permissão da Senhora Inara, um pequeno espaço em seu mundo para tentar explicar para vocês aquilo que está muito além das palavras, que não são capazes de caber em simples descrições.

 

            Lembro-me de quando a vi pela primeira vez. Eu, que grande sou, senti-me pequeno diante de sua presença. É impossível não intimidar-se com aquela sensação de estar diante de uma mulher como ela, exatamente como os humanos são diante dos deuses. O sorriso largo, o riso sádico, e o seu olhar... Tão perverso, que pareceu invadir a minha alma sem qualquer pudor no instante em que a vi. Senti como se soubesse quem sou e o que busco sem que eu precisasse lhe dizer uma só palavra. Isso me remete a um tipo de poder, similar ao que de divino ha nas criaturas místicas e provoca o prazer sobrenatural que caminha pelas estradas da fantasia.

 

            Mal pude acreditar que era real. Parecia-me uma utopia, um tipo de sonho que quando acordamos na manhã seguinte, ficamos atordoados, sem compreender a extensão dos eventos que se sucederam enquanto estive sob seu comando e controle. Era como uma hipnose, da qual eu não queria jamais despertar. Mas sei, como um humilde mortal, que tudo é quando e como ela deseja. E, para minha sorte e delírio, estava disposto a entregar todo o prazer que, neste mundo à margem de uma visão padrão da sociedade, de mim ela quer. Pois, é dela que tudo se trata; um ser livre como os pássaros são, que voa e plana avaliando a paisagem, e só aterrissa em terrenos férteis, dos quais valham à pena estar. Mas, não se enganem. Suas vestes, a pele, os fios sedosos de seus cabelos e tudo o que a compõe, deixam claro sua estirpe; uma ave negra. O Corvo. A reencarnação de uma filha de Odin, que por aqui, está de passagem, deixando um rastro por onde passa, que parte e retorna quando lhe é conveniente, e o que resta a mim é adorá-la. Contemplá-la enquanto me é permitido, e assim, também me libertar.

 

            Isso é o que os deuses fazem.

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